“Burnout, coação e o custo da falsa caridade: por que a ‘ajuda’ do patrão pode ser o fim da sua saúde mental.”
Você já sentiu aquele aperto sufocante no peito minutos antes de cruzar o portão do trabalho? Aquela vontade de chorar sem motivo aparente ou um cansaço tão profundo que nem mesmo um final de semana inteiro de descanso é capaz de curar? Não se engane: isso não é apenas fadiga comum.
Estamos atravessando uma epidemia silenciosa de Burnout, depressão e ansiedade que consome a nossa categoria, empurrando trabalhadores ao “fundo do poço” e ao uso desesperado de medicamentos e álcool apenas para suportar o peso de mais uma jornada exaustiva. Santa Catarina já ostenta a triste marca de 5º estado do Brasil em afastamentos por problemas psicológicos e, enquanto você adoece, o “mau empregador” sorri. Eles agem como se fossem donos do seu tempo e, o que é pior, do seu livre-arbítrio, induzindo muitos de vocês a atirarem no próprio pé ao acreditarem na falsa “ajuda” de quem só tem um objetivo: ver você desprotegido.
O que muitas empresas vendem como “liberdade de escolha” é, na verdade, uma violação flagrante da Constituição Federal e de tratados internacionais. A prática antissindical é todo ato que visa impedir, dificultar ou desestimular a organização e a atuação dos trabalhadores via sindicato. O artigo 543 da CLT e a Convenção nº 98 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) são claros ao proibir que o emprego seja condicionado à não filiação sindical ou que o trabalhador sofra prejuízos por sua atividade junto à categoria.
O absurdo atingiu o ápice em 2025, quando o SAAE GFPOLIS testemunhou donos de academias de ginástica e musculação usando seus próprios carros para transportar funcionários até a sede do sindicato, apenas para que assinassem a carta de oposição. A máscara dessa caridade caiu poucos meses depois, quando trabalhadores demitidos revelaram que foram fo0rçados a esse ato sob a ameaça cruel de perderem o sustento de suas famílias.
O caso do Instituto Ciência & Arte, em Florianópolis, permanece como prova viva dessa barbárie. A proprietária exigiu que o trabalhador escolhesse entre o sindicato ou o emprego, após reter indevidamente mensalidades associativas descontadas dos salários que pertenciam a esta entidade. Fomos ameaçados com processos criminais por expormos a verdade, mas nossa serenidade permanece inabalável, pois o poder de fiscalização é a nossa arma.
Conforme os artigos 513 e 626 da CLT, o sindicato tem o dever e o poder de fiscalizar o cumprimento das normas de proteção ao trabalho, sendo o legítimo representante para denunciar irregularidades aos órgãos competentes.
Sempre que o seu patrão oferecer “facilidades” para se afastar do sindicato, pergunte-se: o que ele está tentando esconder? A nova redação da NR-1 agora exige que as empresas gerenciem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Isso significa que o empregador é responsável por prevenir doenças mentais causadas pela gestão abusiva. Mas quem terá coragem de fiscalizar se as regras estão sendo cumpridas se você estiver sozinho e isolado?
Com base no piso da categoria, a contribuição assistencial custaria, em média, R$ 5,00 por mês. É menos do que um café na esquina para garantir um departamento jurídico especializado e pronto para enfrentar essas feras por você.
Enquanto você é incentivado a se desproteger, as empresas nadam em renúncias fiscais que somam R$ 31,1 bilhões em Santa Catarina e veem as matrículas na rede privada saltarem 25,6% em dez anos. No entanto, a remuneração média real da nossa classe despencou de R$ 5.235,10 em 2015 para R$ 3.405,60 em 2024. Nossa pauta para 2026 é clara e justa: a reposição integral do acumulado dos 12 meses do INPC (data-base 1º de março, somada a 5% de ganho real).
Acorde, trabalhador! Não aceite ser silenciado. Em caso de denúncia, sua identidade será preservada em sigilo absoluto.
O SAAE GFPOLIS há quatro décadas protege o seu passo e projeta o seu futuro. Você também pode formalizar sua denúncia diretamente ao Ministério Público do Trabalho da 12ª Região através do site www.prt12.mpt.mp.br.
Por Kleber Kretzer – Assessor do SAAE GFPOLIS

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