Em encontro estratégico, lideranças sindicais e estudantes planejam resistência jurídica e política contra o descaso de mantenedora na Grande Florianópolis.
A noite da última quarta-feira (14) foi marcada por um encontro histórico e necessário na sede do SINPROESC. Alunos das instituições IES e FASC, atingidos pelo encerramento abrupto das atividades na Grande Florianópolis, reuniram-se com lideranças sindicais para organizar a resistência contra o descaso da mantenedora.
O objetivo foi claro: acolher as vítimas, esclarecer dúvidas jurídicas e traçar uma estratégia comum de enfrentamento.
Para o presidente do SINPROESC, Carlos Magno, a decisão da mantenedora ignora princípios básicos do direito. “Uma instituição de ensino não pode fechar dessa forma. É um grupo econômico, e o grupo precisa assumir o prejuízo e honrar integralmente os contratos vigentes”, afirmou. Ele destacou que existem professores em licença-saúde e contratos de trabalho que gozam de estabilidade, os quais não podem ser descartados sumariamente. Carlos Magno foi enfático ao garantir o apoio aos estudantes: “Vocês não estão sozinhos. O sindicato vai estar junto com vocês.”
Os depoimentos dos alunos revelam uma estratégia perversa.
Kelly Gouveia, graduanda do 7º semestre de Direito, denunciou que o portal de rematrículas operava normalmente apenas dois dias antes do anúncio oficial. “Como é que você já sabe que vai fechar no dia 7 e abre a rematrícula na segunda-feira, dia 5? Muita gente pagou”, questionou a estudante, evidenciando o que pode ser interpretado como um enriquecimento sem causa por parte da instituição.
Leila Paula de Souza Viana, também do 7º semestre, confirmou ter sido vítima da manobra: “Eu já tinha feito a rematrícula”.
Além do prejuízo financeiro imediato, os alunos enfrentam dificuldades para reaver os valores e sofrem pressão para aceitar transferências em condições que sugerem a prática ilegal de venda casada.
Kleber Kretzer, assessor do SAAE GFPOLIS, alertou para as consequências devastadoras nos bastidores da instituição. Para ele, o esvaziamento forçado das turmas é o prelúdio de uma demissão em massa que ignora a dignidade humana. “São professores e trabalhadores administrativos que, neste momento, sequer sabem como ficará o próprio sustento. É preciso união total entre alunos e trabalhadores para enfrentarmos esse colapso”, declarou Kleber.
O SINPROESC e o SAAE GFPOLIS seguem vigilantes, unindo forças com o corpo discente para garantir que o lucro de uma mantenedora não seja colocado acima da educação e da sobrevivência de centenas de famílias catarinenses.
Por Carlos Magno da Silva Bernardo, Presidente do SINPROESC, e Kleber Kretzer, Assessor do SAAE GFPOLIS.

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