NOTA OFICIAL: O desprezo pela educação e o drama de centenas de famílias no município de São José/SC.

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O Sindicato dos Auxiliares da Administração Escolar da Grande Florianópolis (SAAE GFPOLIS) vem a público manifestar sua mais profunda indignação e revolta diante do anúncio devastador recebido na manhã desta quinta-feira. O que testemunhamos é a face mais cruel da mercantilização do ensino: em um ato despido de qualquer humanidade ou ética profissional, as instituições IES (Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis) e FASC (Faculdade de Santa Catarina), geridas pela UNIP (Assupero Ensino Superior Ltda), decidiram encerrar suas atividades de forma abrupta e unilateral.

O requinte de crueldade desta operação é estarrecedor. Na tarde de ontem, 07 de janeiro de 2026, enquanto a mantenedora já orquestrava o encerramento, dezenas de auxiliares administrativos e professores foram mantidos na mais absoluta ignorância.

O ápice da humilhação ocorreu quando os próprios trabalhadores ficaram sabendo do encerramento das atividades através dos alunos, que já haviam sido informados do fim das aulas. Essa inversão de valores e a omissão deliberada da faculdade provocaram um colapso que transcende o financeiro: é um golpe psicológico. Sem aviso prévio e sem tempo hábil para se organizarem para uma nova etapa em suas vidas, esses profissionais foram lançados ao desespero pela covardia de uma gestão que foge do diálogo e ignora a dignidade de quem construiu o nome da instituição.

Os estudantes, que depositaram seus sonhos e economias nestas faculdades, estão sendo tratados como meros ativos financeiros. A proposta de transferência para a Faculdade Estácio de Sá, mascarada por um suposto “incentivo” de 70% de desconto, é uma afronta à inteligência coletiva. Na prática, este benefício é uma armadilha, visto que a mensalidade da instituição de destino chega a ser o dobro do valor atual. Trata-se de uma tentativa vil de transferir o ônus da falência de gestão para o bolso dos alunos e seus familiares.

A Assupero Ensino Superior Ltda ignora que o encerramento de uma operação deste porte não ocorre no vácuo jurídico. A legislação brasileira é categórica:

  1. Intervenção Sindical Obrigatória (Tema 638 do STF): O STF consolidou que a intervenção sindical é indispensável em demissões em massa. O SAAE não é espectador; é o guardião da categoria. Fechar as portas sem negociar condições de saída e planos de suporte é um ato ilegal.
  2. Abuso de Direito e Danos Morais: Abandonar profissionais no início do ano, após usá-los para garantir rematrículas de alunos, configura abuso de direito e gera responsabilidade por danos morais individuais e coletivos.
  3. Código de Defesa do Consumidor: A transferência de “carteira de alunos” sem consentimento livre e que gere prejuízo financeiro ou pedagógico é nula e passível de sanções severas.

Não aceitaremos que o lucro acumulado pela mantenedora se transforme no desespero de dezenas de famílias que acordaram hoje sem sustento. O SAAE GFPOLIS já está acionando seu corpo jurídico para tomar todas as medidas judiciais, administrativas e cautelares para garantir o bloqueio de bens e a proteção dos trabalhadores.

A educação não é uma mercadoria descartável; é feita de pessoas, suor e sonhos. Aos trabalhadores e alunos: vocês não estão sozinhos. A nossa luta contra esse descaso apenas começou.

Por Kleber Kretzer – Assessor do SAAE GFPOLIS

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