A 4ª rodada de negociação entre a bancada laboral (SAAE GFPOLIS e demais sindicatos) e o sindicato patronal (Sinepe-SC), realizada nesta terça-feira, aprofundou temas cruciais que vão além da pauta econômica. Enquanto o sindicato completa 40 anos de história, a luta se concentra em adaptar a convenção às novas realidades do ambiente escolar.
A bancada laboral apresentou uma forte defesa sobre a saúde mental, argumentando que o trabalhador não pode ser silenciado por receio de “demonstrar fraqueza” perante a gestão. Foi debatido que a omissão de problemas psicossociais pode agravar quadros de adoecimento e gerar passivos para as instituições. A proposta laboral visa criar um ambiente onde a identificação precoce de riscos (como assédio ou sobrecarga) seja uma ferramenta de prevenção, e não um motivo para substituição do profissional.
Outro ponto de debate intenso foi a cláusula de dispensa do aviso prévio. O objetivo dos trabalhadores é garantir que o profissional que pede demissão por ter conquistado um novo emprego não sofra descontos financeiros em suas verbas rescisórias. Os representantes laborais argumentaram que essa medida facilita a mobilidade do profissional no mercado, sem puni-lo financeiramente por buscar novas oportunidades.
A discussão também abrangeu o reconhecimento do nível superior para técnicos administrativos e a garantia de infraestrutura básica para professores. Para os sindicatos, oferecer condições adequadas de trabalho (mobiliário e ferramentas pedagógicas) é o primeiro passo para o cumprimento das metas de ensino sem prejuízo à saúde física dos docentes.
Apesar da sinalização patronal sobre o uso do INPC como base para o reajuste e a discussão sobre o Piso Salarial, as entidades laborais mantêm cautela. A defesa é por uma reposição integral que garanta o poder de compra, especialmente para as faixas salariais que servem de referência para a categoria.
Devido à complexidade dos temas e à falta de consenso em pontos fundamentais da NR1 e de cláusulas rescisórias, os debates foram suspensos. Uma nova reunião foi agendada para o dia 07 de abril, quando as partes tentarão superar as divergências remanescentes.
Por Kleber Kretzer – Assessor e coordenador do SAAE GFPOLIS